Falta de água pode tornar o mundo vegetariano
Diariamente, um bilhão de mulheres, homens e crianças vão dormir com fome,
enquanto 10 milhões morrem por desnutrição a cada ano. Se ainda hoje o
mundo não conseguiu sanar esse mal, que afeta um em cada sete de seus
habitantes, como é que vamos alcançar a segurança alimentar para uma
população que em 2050 chegará a 9 bilhões de pessoas?
Um novo estudo mostra que a solução para evitar uma catástrofe alimentar
passará por uma mudança quase completa de uma dieta a base de carne para
uma mais centrada em vegetais. E isso deverá acontecer por um único motivo:
a escassez de água. É o que aponta o relatório “Alimentando um mundo
sedento: Desafios e Oportunidades para a segurança hídrica e alimentar”,
divulgado no domingo (26) na Suécia, por ocasião da Semana Mundial da Água.
A análise mostra que não haverá água suficiente para alcançar a produção
esperada em 2050 se seguirmos com a dieta característica dos países
ocidentais em que a proteína animal responde por pelo menos 20% das
calorias diárias consumidas por um indivíduo.
Na ponta do lápis, de acordo com os cientistas, a adoção de uma dieta
vegetariana é atualmente uma opção para aumentar a quantidade de água
disponível para produzir mais alimentos e reduzir os riscos de
desabastecimento em um mundo que sofre com extremos do clima, como a seca
histórica que afeta os Estados Unidos. O motivo é que a dieta vegetariana
consome de cinco a dez vezes menos água que a de proteína animal – que hoje
demanda um terço das terras aráveis do mundo só para o cultivo de colheitas
para alimentar os animais.
“A capacidade de um país de produzir alimentos é limitada pela quantidade
de água disponível em suas áreas de cultivo”, ressalta um trecho do
relatório, que alerta sobre a pressão atual e crescente sobre esse recurso
natural usado de forma cada vez mais insustentável. Segundo previsões da
FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, da sigla
em inglês), será necessário aumentar a produção de alimentos em 70% nos
próximos 40 anos para atender à demanda. Isto colocará uma pressão
adicional sobre os nossos hídricos, num momento em que precisaremos também
alocar mais água para satisfazer a demanda global de energia, que deverá
crescer 60% em três décadas, salientam os cientistas.
*Estresse hídrico* – Um outro estudo divulgado em maio pela consultoria
britânica Maplecroft mostrou que o mundo já vive um “estresse hídrico” e
que a falta de acesso à água potável vem pesando sobre os países mais
pobres ou marcados por histórico de conflitos militares, instabilidades
políticas e sociais. Segundo o levantamento, os países do Oriente Médio e
África são os mais vulneráveis à falta de água. Nessas regiões, cada gota
pode emergir como uma nova fonte de instabilidade.
Em alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como Kwait e Arábia
Saudita, a escassez de água vem se tornando crítica há gerações. Primeiro
colocado na lista de 10 países em “risco extremo” de falta d´água, Bahrein,
no Golfo Pérsico, usa águas subterrâneas para a prática da horticultura,
porém, em quantidade insuficiente para atender toda a população. A
deterioração dos lençóis subterrâneos de água já é uma das principais
preocupações nacionais. (Fonte: Exame.com)






